Contexto
Quem é a empresa e de onde partimos
Ana Lia Nocrato é psicóloga clínica em Fortaleza, com formação em psicologia sócio-histórico-cultural e em sexologia clínica. Atende presencialmente e online, com foco na saúde mental da mulher.
O site anterior tinha conteúdo de sobra: benefícios, especialidades, depoimentos, FAQ, localização e ainda páginas separadas para Sobre, Psicoterapia, Blog, Terapia de Casal e Terapia sexual. A questão não era falta de material, era a ordem dele e a quem ele se dirigia.
A página estava montada a partir de como a psicóloga descreve o próprio trabalho. Mas quem procura terapia raramente busca por abordagem teórica: chega com um sintoma, um cansaço ou uma dúvida, e precisa reconhecer a própria experiência ali antes de considerar marcar uma sessão.
O desafio
O que não estava funcionando
Lendo o site anterior seção por seção, e também as páginas internas, o que apareceu foi um descompasso entre a linguagem da profissional e a de quem procura ajuda:
- A abertura anunciava a modalidade, online e presencial em Fortaleza, e não o que a terapia ajuda a resolver.
- O registro profissional existia, mas na página Sobre, a um clique de quem chegava pela home.
- A apresentação dizia foco na saúde mental da mulher em um parágrafo e experiência com jovens e adultos no seguinte.
- O espaço de maior destaque depois do topo trazia a abordagem teórica em três parágrafos densos, escritos em terceira pessoa.
- As especialidades vinham em blocos longos de texto, descritos a partir do que a clínica faz, e não do que a pessoa sente.
- Duração e frequência das sessões só existiam dentro do FAQ, e nada explicava o que acontece entre enviar a mensagem e a primeira sessão.
- A mesma frase, Agende a sua sessão, se repetia cinco vezes ao longo da página.
A direção
As decisões que guiaram o redesign
A reorganização partiu de uma inversão: em vez de abrir pelo que a profissional faz, abrir pelo que a pessoa está sentindo. A ordem das seções passou a acompanhar o caminho de alguém decidindo se vale procurar terapia.
Nomear o problema e o público
O título passou a citar ansiedade, relacionamentos e autoestima, que são os termos com que a pessoa descreve o que sente. O subtítulo declara o atendimento a mulheres. Um recorte explícito ajuda quem se identifica a seguir adiante, e evita expectativa desalinhada em quem não é o público.
Trazer a credencial e alinhar o posicionamento
O CRP saiu da página Sobre e subiu para a primeira linha da home, antes do título. Junto com ele, o texto de apresentação deixou de dizer jovens e adultos e passou a nomear o público que ela de fato atende, resolvendo uma contradição que existia entre dois parágrafos seguidos.
Criar um espelho antes da explicação
Uma seção nova lista, em segunda pessoa, situações do dia a dia: a autocobrança, a dificuldade de dizer não, a dúvida sobre si mesma. É o ponto em que a leitora reconhece a própria experiência, antes de qualquer conteúdo teórico sobre abordagem.
Reescrever do ponto de vista de quem lê
As especialidades saíram de blocos longos em terceira pessoa e viraram cards curtos, escritos no que a pessoa busca. O mesmo tratamento valeu para o restante da página: o texto passou para segunda pessoa e para o feminino, coerente com o público declarado.
Tornar o primeiro contato previsível
Cinco etapas descrevem o caminho da mensagem no WhatsApp até a alta. Duração e frequência das sessões saíram do FAQ e viraram seção visível. Marcar a primeira sessão costuma ser a parte mais difícil, e saber o que vem a seguir reduz o desconforto de dar esse passo.
Reposicionar a abordagem, sem descartá-la
Os três parágrafos sobre psicologia sócio-histórico-cultural continuam no site. Foram reescritos em segunda pessoa e movidos para depois da identificação e do processo, onde interessam a quem já está considerando o atendimento.
Variar o convite conforme o momento
No lugar da mesma frase repetida cinco vezes, cada seção convida de um jeito: Conhecer minha abordagem para quem ainda está decidindo, Dar o primeiro passo depois de ver o processo, Vamos juntas? ao fim da apresentação pessoal. Em saúde mental, o tom do convite é parte do acolhimento.
Antes e depois
O que mudou, tela a tela
Cada bloco abaixo mostra um trecho da experiência com a leitura do que motivou a mudança. Alguns são comparações diretas; outros são camadas que o site anterior não tinha.
Abertura
A primeira tela dizia o formato, não o motivo
O site anterior abria com “Psicoterapia online & presencial em Fortaleza”, uma descrição de formato e lugar. Quem chega a um site de psicologia costuma chegar pelo que está sentindo, não pela modalidade. A nova abertura nomeia as questões atendidas, declara o público e traz o CRP na primeira linha. O texto também saiu de cima da foto, onde disputava legibilidade com a imagem, e passou a ocupar sua própria coluna.


Especialidades
As especialidades eram descritas pela clínica, não pela leitora
O site anterior já trazia quatro áreas de atuação, mas em blocos longos escritos a partir do trabalho clínico, com frases como “auxilio meu paciente a compreender seus limites”. São textos corretos e difíceis de varrer. A nova seção mantém as mesmas áreas, acrescenta autoestima e maternidade, e reescreve cada uma em uma frase curta sobre o que a pessoa busca ali.


Inclusão
Um espelho para a leitora antes de qualquer explicação
O site anterior explicava a abordagem e listava as especialidades, mas não oferecia nenhum ponto em que a leitora pudesse se reconhecer. Esta seção foi criada para isso: seis frases em segunda pessoa sobre situações concretas do dia a dia, sem diagnóstico e sem termo técnico. É a resposta à pergunta que antecede todas as outras, se aquilo ali é sobre ela.

Inclusão
O que acontece entre a mensagem e a primeira sessão
No site anterior, o convite era direto para o WhatsApp, sem nada entre a decisão e o contato. Para quem nunca fez terapia, esse é justamente o trecho mais desconfortável do caminho. As cinco etapas descrevem o que esperar do primeiro contato até a alta, incluindo a redução de frequência ao longo do processo, algo que antes só aparecia dentro do FAQ.

Benefícios
Os mesmos benefícios, com outro enquadramento
Esta é a seção que menos mudou de conteúdo: os quatro benefícios continuam os mesmos. O que mudou foi o enquadramento. “Benefícios da terapia” é um rótulo de categoria, escrito da perspectiva de quem oferece o serviço. “O que você pode construir no processo” fala do que a leitora leva dali, e a palavra construir devolve a ela a parte ativa do processo, que é justamente a ideia central da abordagem da Ana Lia.


Posicionamento
A apresentação estava fora da página e dizia duas coisas diferentes
Quem é a profissional e qual a formação dela ficavam em uma página separada, junto com o CRP. Além de estar fora do caminho de quem chegava pela home, o texto se contradizia: um parágrafo declarava foco na saúde mental da mulher e o seguinte falava em experiência com jovens e adultos. A apresentação entrou no fluxo principal, com o recorte alinhado ao público que ela de fato atende.


Abordagem
A teoria ocupava o lugar da identificação
Os três parágrafos sobre a abordagem clínica ficavam logo abaixo do topo, escritos em terceira pessoa, falando de “meu paciente” e “o indivíduo”. É um texto sobre o método, colocado antes de a leitora saber se o atendimento é para ela. O conteúdo permaneceu, reescrito em segunda pessoa e no feminino, coerente com o público declarado, e foi movido para depois da identificação e do processo.


Atendimento
O formato da sessão era vendido como serviço, não explicado como informação
O site anterior apresentava terapia individual e terapia de casal como dois serviços a escolher, com um parágrafo cada sobre o que é a modalidade. Faltava justamente o que a pessoa precisa saber para se organizar: quanto dura e de quanto em quanto tempo. Essa informação existia, mas dentro do FAQ. A nova seção junta as duas coisas e responde de forma direta.


O processo
Como o projeto foi conduzido
- 01
Leitura do site anterior
Percorri a home e as páginas internas registrando o que cada seção respondia e em que ordem, separando o que era informação para a profissional do que era informação para quem procura atendimento.
- 02
Reordenação do conteúdo
Remontei a sequência pelo caminho de decisão de quem busca terapia: reconhecer o que sente, ver se o atendimento é para ela, entender como funciona, conhecer a profissional e então marcar. Conteúdo que estava em páginas separadas ou dentro do FAQ entrou nesse fluxo.
- 03
Reescrita da copy
Passei os textos para segunda pessoa e para o feminino, encurtei os blocos longos das especialidades e troquei a frase única de CTA por convites diferentes conforme o momento da página.
- 04
Design e desenvolvimento
Defini uma paleta em tons terrosos com serifada nos títulos, buscando acolhimento sem infantilizar o assunto, e construí e publiquei a página.
O resultado
O que o site passou a comunicar
O escopo era o redesign da página, sem meta de conversão combinada nem instrumentação para medir agendamentos. O que dá para afirmar é o que mudou na própria experiência.
- A primeira tela nomeia as questões atendidas e o público, no lugar da modalidade.
- O registro profissional aparece na home, antes de qualquer outra informação.
- A apresentação profissional passou a dizer uma coisa só sobre quem é atendido.
- Existe uma seção onde a leitora pode reconhecer a própria experiência, que antes não existia.
- O caminho entre a mensagem e a primeira sessão está descrito em cinco etapas.
- Duração e frequência das sessões saíram do FAQ e viraram conteúdo visível.
- Cada seção convida de um jeito, no lugar da mesma frase repetida cinco vezes.
Depoimento
Depoimento de exemplo, ainda não validado com o cliente
“O site ficou com a minha cara e explica o meu trabalho de um jeito que eu não conseguia colocar em palavras. As pessoas chegam sabendo o que esperar da primeira sessão.”
